O que é Harness Engineering e por que isso importa
A evolução da humanidade sempre foi moldada pela externalização cognitiva. Pensamentos foram transformados em linguagem falada, a linguagem foi transformada em escrita, a escrita passou a ser impressa em quantidades absurdas e tudo isso acabou se transformando em artefatos digitais armazenados em computadores.
Essas transições fizeram com que a humanidade conseguisse reorganizar sua capacidade mental, liberando espaço limitado para focar em planejamento, abstração e criatividade.
Existe o argumento de que essa mesma lógica pode ser aplicada ao design e ao desenvolvimento de agentes baseados em LLMs, e que a melhoria da capacidade desses agentes não se deve principalmente ao treinamento de modelos cada vez maiores. Ela vem, na verdade, da realocação da carga cognitiva da computação interna do modelo para estruturas persistentes, inspecionáveis e reutilizáveis, organizadas em três principais pilares mediados por um conceito chamado Harness Engineering.
Harness Engineering#
Harness Engineering é uma técnica que organiza os pilares da carga cognitiva de um modelo, tornando o sistema de agentes muito mais eficiente sem depender totalmente da corrida por modelos maiores, métodos de treinamento melhores e reasoning cada vez mais sofisticado.
Essa técnica consiste em mudar a infraestrutura e o ambiente ao redor do modelo, adicionando memória persistente, organizando habilidades reutilizáveis, padronizando chamadas de ferramentas e guiando o modelo por meio de uma forma explícita de controle lógico.
Modelos de LLM, por si só, ainda têm limitações técnicas que apontam diretamente para os pilares de um harness. Janelas de contexto são limitadas, e instruções longas acabam sendo seguidas de forma inconsistente. Harness engineering importa porque representa, para agentes, o mesmo princípio de externalização que a humanidade desenvolveu ao longo da sua evolução. Nesse contexto, esse princípio é aplicado à construção e ao funcionamento de agentes, permitindo que o modelo gerencie sua carga cognitiva de maneira mais eficiente.
Os pilares de um Harness#
1. Memory#
Memória é a capacidade de persistir informações sem depender da janela de contexto e dos pesos do modelo. Ela permite armazenar conhecimentos acumulados, como preferências do usuário e objetivos principais, que podem ser filtrados e recuperados apenas quando necessário.
O principal ganho é que o agente não precisa mais recorrer apenas aos pesos do modelo para acessar conhecimentos passados. Em vez disso, ele pode buscá-los em uma base de dados persistente e pesquisável.
2. Skills#
Skills são o empacotamento de instruções, melhores práticas e guias organizados em artefatos reutilizáveis. O principal ganho é que o agente herda comportamentos pré-validados em vez de improvisar a cada execução.
3. Protocols#
Protocolos são usados para padronizar a comunicação entre sistemas, agentes e serviços. Com isso, o agente deixa de improvisar para realizar essas interações e passa a operar sobre um sistema estruturado que permite governança.
Esses pilares, no entanto, não evoluem de maneira isolada em um sistema de agentes.
Na prática, eles interagem o tempo todo e também competem entre si pela atenção do modelo. A execução de skills pode gerar artefatos que se tornam memória. A memória, por sua vez, pode influenciar a decisão do agente sobre quais skills e protocolos devem ser seguidos na execução de uma tarefa específica.
É papel do harness mediar essas interações para que o funcionamento do agente continue correto.
Conclusão#
Os avanços em modelos de LLM parecem cada vez menos expressivos. Ao mesmo tempo, treinar novos modelos e desenvolver métodos de treinamento mais sofisticados está cada vez mais caro.
Harness é uma técnica de engenharia de software que permite que mesmo modelos com limitações técnicas, como janela de contexto limitada e memória não persistente, funcionem de maneira eficiente e consigam resolver tarefas complexas no dia a dia.